terça-feira, 1 de maio de 2018

"Livro de Estante" #1 | "A História de uma Serva", de Margaret Atwood


Autor(a): Margaret Atwood
Título Original: The Handmaid’s Tale (1985)
Editora: Bertrand
Páginas: 348
ISBN: 9789722525770
Tradutor: Rosa Amorim

SOBRE A AUTORA:
Margaret Eleanor Atwood é uma autora canadiana, reconhecida com inúmeros prémios literários. Devido ao seu sucesso, recebeu a Ordem do Canadá, a mais alta condecoração civil no seu país. Em 2001 foi incluída no Canada’s Walk of Fame de Toronto. É membro fundadora da organização não-governamental Writers’ Trust of Canada que apoia a comunidade de escritores do Canadá. A sua Magnum Opus (grande obra) é “A História de Uma Serva”.


SINOPSE:
“Extremistas cristãos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a constituição. A América é agora Gileade, um estado policial fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo, antes de perder tudo, incluindo o nome, em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego. Essas memórias vão-se agora misturando com ideias perigosas de rebelião e amor.”

Esta distopia é muito boa para quem quer ficar com que pensar durante dias. Esta história chega-nos pelos olhos de Defred, a Serva de uma das casas de Gileade. A função de Defred era a de dar à luz uma criança que passaria a ser o filho de um seio familiar infértil. Como se tal não fosse degradante o suficiente, Defred (para engravidar) era violada uma vez por semana pelo homem da casa visto que, o filho teria de ser seu.

Defred não podia sair da habitação da família que servia, a não ser para ir ao mercado, e não tinha à sua disposição coisas que hoje em dia muitas das mulheres dão como garantidos como por exemplo, um simples creme para o rosto. Além disso todas as mulheres, sendo elas servas ou não, não tinham direito à leitura, à escrita, a nada que lhes pudesse digamos, faze-las pensar. Este livro daria uma discussão interessante. Nele estão temas como machismo, repressão, preconceito, violação, aborto, violência, etc.Tenho pena que o livro não tenha desenvolvido mais o passado antes do estado de Gileade. Claro que nos são dadas memórias de Defred, porém, penso que seria interessante a representação do processo de transformação do estado em maior pormenor.

Pelo que compreendi esse processo foi quase impercetível. Aos poucos alguns direitos foram retirados às mulheres, sem qualquer aviso, sem qualquer explicação. A forma subtil como tudo começou é tão assustadora que me perguntei, imensas vezes, ao longo da leitura, se nos governos democráticos atuais tal poderia acontecer. Mantenho uma visão positiva da realidade, mas confesso que olhei para a mesma de outra maneira depois da história de Defred.

Durante a história outra questão que me surgiu na cabeça foi: Somos assim tão influenciáveis? As mentalidades que possuímos atualmente podem ser substituídas com tanta facilidade? Esse é o único ponto que achei mais difícil de acontecer. Com o passar dos tempos acredito que muitas mudanças possam surgir, mas não num período temporal assim tão curto. Mas claro, que posso estar em erro. O ser humano não deixa de ser surpreendente.

Considero que apesar do poder que a história teve sobre mim, não obtive as respostas que procurava. Conseguiu Defred a sua liberdade? Será que sobreviveu naquele ambiente? Nunca saberei. Mas também acho que esse é um mistério bem colocado. Faz o leitor pensar. Por fim, no fim do livro, as referências do passado da distopia foram interessantes e inesperadas. Fala-se das lutas do mundo e da força que as histórias podem ter. E é mesmo assim. As histórias perdem-se, tornam-se mitos. Mas afinal, a história repete-se e os erros voltam a ser cometidos. Será que este, eventualmente, será um desses erros?


ONDE COMPRAR O LIVRO?

- https://www.fnac.pt/A-Historia-de-Uma-Serva-Masrgaret-Atwood/a715362
- https://www.bertrand.pt/livro/a-historia-de-uma-serva-margaret-atwood/15091936
- https://www.wook.pt/livro/a-historia-de-uma-serva-margaret-atwood/15091936 

Por: Raquel Branco

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